Autor(es): David Duarte Lima |
Correio Braziliense - 09/04/2011 |
Doutor em segurança de trânsito, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), presidente da ONG Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST), foi coordenador do Fórum pela Paz no Trânsito Um milhão de mortos. Vinte milhões de feridos. Cinco milhões com lesões irreversíveis, com membros amputados ou em cadeiras de rodas. A soma dos prejuízos com danos materiais, perda de produção, custos médicos, pensões, chega a R$ 1 trilhão. Não é o balanço de uma guerra, caro leitor. São números da tragédia do trânsito no Brasil nos últimos 30 anos.Todos os anos, 40 mil pessoas perdem a vida nas nossas ruas e estradas e 800 mil ficam feridas. O trânsito é a principal causa de morte entre crianças de 5 a 14 anos; um em cada três brasileiros será ferido no trânsito antes de completar 60 anos (que doença faz tantas vítimas?); em 2010, dez mil motociclistas morreram e 500 mil ficaram feridos. Por que morrem tantos brasileiros no trânsito? Por que para uma mesma distância percorrida há dez vezes mais vítimas no Brasil que nos países desenvolvidos? Será que não percebemos ou nos sentimos impotentes diante da catástrofe? Qualquer pessoa observadora constata que o trânsito no Brasil tem o ambiente perfeito para ferir e matar: estradas e ruas perigosas, carros sem manutenção, motoristas que dirigem em alta velocidade ou embriagados, motociclistas que arriscam a vida a todo instante, fiscalização ineficaz. Os pedestres e ciclistas não contam com espaços para locomoção confortável e segura. O descaso com a segurança de trânsito contamina a Justiça, que dá mostras de excessiva benevolência com motoristas infratores. Relegadas a um segundo plano, as perícias, essenciais para estabelecer medidas preventivas, são feitas à matroca. Toda essa situação tem como pano de fundo o transporte coletivo, esse monumento à negligência com o povo, que incentiva o uso do transporte individual motorizado, agravando ainda mais os problemas. Poderia ser diferente. O trânsito tem jeito. Com medidas de controle, muitos países experimentaram bons resultados. Em 2009, os Estados Unidos tiveram o menor número de mortos no trânsito desde 1950. Na Europa, os benefícios foram parecidos. A Bélgica, por exemplo, multiplicou por dez sua frota de veículos automotores nos últimos 60 anos, mas, em 2010, teve o menor número de vítimas de trânsito em todos esses anos. Esses países fazem diagnósticos dos problemas, realizam pesquisas, estabelecem metas e promovem ações para reduzir a violência no trânsito. Os programas desses governos são robustos, há comprometimento das autoridades e participação da sociedade. Há 15 anos Brasília mostrou que nós também podemos. Uma série de reportagens sobre a tragédia no trânsito da cidade e um editorial escrito pelo saudoso Ismar Cardona no Correio Braziliense, foram o estopim para uma campanha que culminou com a criação do Fórum pela Paz no Trânsito na Universidade de Brasília e a revolução da faixa de pedestres, capitaneada pelo coronel Renato Azevedo. Crônicas diárias do brilhante jornalista Alexandre Garcia na Rede Globo foram fundamentais para a população perceber a inaceitável situação vigente nas ruas da capital federal. Governo e sociedade decidiram reduzir essa chaga social. Na maior manifestação política desde as Diretas Já, a população de Brasília exigiu medidas de segurança de trânsito. Em quatro anos, o número de mortos no trânsito foi reduzido à metade. Em 1966, o presidente Lyndon Johnson percebeu a gravidade do problema no seu país. “Mais de 1,5 milhão de nossos cidadãos morreram em nossas ruas e estradas neste século; cerca de três vezes o número de americanos que perdemos em todas as nossas guerras”, disse ao assinar o Plano de Segurança de Trânsito dos Estados Unidos. O governo precisa fazer o mesmo no Brasil. Medidas como uso do cinto de segurança, controle de velocidade, fiscalização efetiva, inspeção de segurança dos veículos, educação de trânsito, tem grande impacto na redução do número de vítimas e podem ser implementadas já. A médio prazo, precisamos reestruturar nossas cidades para que elas sejam acolhedoras para as pessoas, e os carros deixem de ser os únicos privilegiados no espaço público. As soluções no trânsito são conhecidas e os benefícios, animadores: a cada real investido na prevenção, economizamos cinco que seriam necessários para cuidar de vítimas e enterrar mortos. Não é uma tarefa fácil, é preciso perseverar por anos, mas é imprescindível encarar a empreitada. O governo e a sociedade não podem mais esperar. É urgente reduzir alguns decibéis dessa toada fúnebre que ronda os lares brasileiros. |
Neste Blog todos os vigilantes das IFES e IFETS do Brasil terão espaço para se comunicarem, disponibilizar artigos, documentos, fotos, se informarem e discutir assuntos de seus interesses.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
O TRÂNSITO NÃO PODE ESPERAR
UNICAMP INSTALA CÂMERAS DE SEGURANÇA
Unicamp instala mais de 200 câmeras de segurança no campus Sistema deve ficar pronto em dois meses.
Centro de monitoramento blindado ainda não foi concluído.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciou testes com 240 câmeras de monitoramentos, sendo 14 móveis, para reforçar o sistema de segurança no campus.
O investimento é de R$ 3 milhões e o sistema deve ficar pronto em dois meses.
A maioria dos equipamentos de vigilância foi fixada em locais altos, como reservatórios de água e postes. Os “espiões” eletrônicos cobrirão todas as ruas, praças e dependências do campus.
Além da instalação das câmeras, falta a conclusão do centro de monitoramento de segurança, que terá 100 m² e será blindado, além do treinamento do pessoal que vai operar a fiscalização. O sistema conta com 16 monitores e quatro telões.
Cancelas
A Unicamp anunciou ainda que implantará um sistema de cancelas eletrônicas. Este sistema vai substituir o atual modelo, que utiliza adesivos para usuários cadastrados e cartões para visitantes eventuais. A novidade deve entrar em funcionamento em alguns meses.
O sistema funcionará a partir de dois chips. Um será instalado no veículo e outro em um cartão eletrônico que ficará com o dono do veículo. O objetivo é vincular a identificação do automóvel à identidade funcional do motorista. Se no momento de passar pela cancela o sistema de leitura detectar discrepância nos dados, a cancela não se abrirá.
Nos primeiros 90 dias de 2011, foram registrados dois casos de roubo no campus, mesmo número de 2010.
Fonte: G1
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Um triste episódio na UFMS
Caros companheiros, é com profunda dor que informo aos companheiros que hoje dia 11 de abril de 2011, ocorreu um estupro de uma jovem estudante do curso de química aqui da UFMS em Campo Grande/MS. O fato aconteceu por volta das oito horas da manhã, onde a vítima foi atacada em uma passarela que dá acesso a outra parte do campus que fica do outro lado de um lago existente. Após a segurança do campus ser comunicada, foram feitas buscas nas imediações sem sucesso de encontrar o malfeitor. Na parte da tarde às 14 horas a reitoria convocou uma reunião com o Pró-Reitor de Administração, o Gerente de Serviços Gerais e eu o chefe da Divisão de Proteção Patrimonial, para que fossem tratado o caso e quais providencias que poderiam ser tomadas de imediato para dar maior segurança aos alunos naquele local. Vale salientar que o local, conta com vigilância terceirizada no horário das 11 às 23 horas, sendo que a partir de amanhã fica alterado para o horário das 6 às 00 horas. Às 15 horas cerca de Duzentos estudantes com faixas, e apitos organizaram um movimento em frente a reitoria, sendo a pedido da Reitoria que fosse organizada uma comissão de 20 acadêmicos para participarem da reunião e apresentarem seus argumentos. Enquanto a reunião ocorria, com os vinte representantes dos alunos, o restante dos estudantes saiu do campus e interditou uma avenida que passa em frente a universidade como forma de protesto.
Durante a reunião foram feita várias reclamações como, por exemplo, a falta de seguranças, iluminação, transporte interno de acadêmicos entre outras coisas. Vale ressaltar que os acadêmicos não reclamaram da atuação dos servidores do cargo em si, mas da pouca quantidade de servidores concursados que atuam na área. Como chefe da Divisão argumentei aos acadêmicos que por força da lei 9.632 de maio de 1998, o cargo de vigilante sempre foi considerado em extinção e que não havia mais concurso, más, no entanto, através dos nossos seminários e o estudo da lei vimos que o cargo não está extinto e que nós enquanto trabalhadores da área de segurança estávamos buscando reconhecimento junto ao MEC, Planejamento e até junto a ANDIFES para reverter essa posição. Foi firmado acordo com o reitor em exercício para a formação de uma comissão para tratar do assunto sobre a segurança no campus, onde participarão acadêmicos, pessoal da administração e da segurança pública (Polícia Militar e Civil). No final da reunião foi lavrada uma ata e assinada pelos participantes presentes. A administração da universidade está prestando toda assistência necessária a acadêmica.
Infelizmente somente depois que coisas deste tipo acontecem é que as autoridades resolvem agir, não é de hoje que nós (vigilantes) temos alertado sobre a situação da segurança nos campi e que cada vez fica mais insustentável.
Milton de Alcântara
Chefe da Divisão de
Proteção Patrimonial/UFMS
sexta-feira, 8 de abril de 2011
UNIVERSITÁRIO MORRE APÓS SER ATROPELADO EM FRENTE CAMPUS DA UFU
Amigos e parentes participaram do velório na manhã desta sexta-feira na UFU.
Será enterrado, nesta sexta-feira (8), em Patos de Minas (MG), o universitário Jeferson Willian Camilo da Silva, 20 anos, que morreu atropelado na tarde desta quinta-feira (7) na avenida João Naves de Ávila, em frente ao campus Santa Mônica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Hoje pela manhã, o corpo dele foi velado no anfiteatro da biblioteca UFU, campus Umuarama, onde amigos e familiares estiveram presentes.
O jovem cursava Engenharia Biomédica na universidade e morava em um edifício localizado na própria avenida João Naves de Ávila, do lado do bairro Santa Maria. Segundo testemunhas do acidente, ele estava atravessando a avenida para entrar no campus da UFU quando um veículo o atingiu de frente. Ele foi socorrido, primeiramente, por populares, e também pelo condutor do carro.
Os bombeiros foram acionados e levaram o jovem inconsciente para o Pronto Socorro da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde ficou internado. Com traumatismo craniano grave, ele morreu na madrugada.
Jeferson Willian Camilo, segundo informou amigos e família à reportagem, morava há cerca de três anos em Uberlândia. Segundo eles, a vítima conhecia os riscos da via, já que a travessia da avenida era feita diariamente.
De acordo com dados do Corpo de Bombeiros, já são mais de 70 vítimas de atropelamento na cidade em 2011. No ano passado, em 2010, foram registradas 380 pessoas vítimas de acidentes com automóveis.
Fatalidade
De acordo com o boletim de ocorrência do acidente, o motorista do veículo, um jovem de 24 anos, tentou ultrapassar de outro carro à frente. Para isso, ele jogou o carro para a esquerda, na faixa de ônibus. Jeferson Willian estava atravessando a avenida, fora da travessia elevada, e foi atropelado.
De acordo com um primo da vítima, que não quis ser identificado, os familiares creem na fatalidade. “Foi um acidente, embora possa ter havido imprudência de ambos os lados. Mas quem somos nós para julgar?”, disse.
Fonte: Jornal Correio de Uberlândia
Pelo menos agora, frente a tragédia, está na hora dos conselhos e da reitoria da UFU, se manifestarem com relação a vilolência do transitonos arredores, de seus campus especialmente.
No prórpio Campus Santa Mônica e arredores, carros ou qualquer outros veículos, não respeitam as faixas de pedestres nas entradas e saídas da universidade, inclusive os veúculos que entram e saem de seus acessos. Insistir para que os veúculos parem, é risco de vida na certa. Por vezes já fiz a experiência.
Não se vê sequer, manifestaçãoes por parte das áreas especializadas dos cursos, especialmente Geografia, engenharia civil e arquitetura e urbanismo.
Pintar faixas não resolve por si só o assunto.
Onde andam a Prefeitura e a SETRAN?
Vamos ampliar, diversificar e praticar a humanização de homens e mulheres, já.
Falcão Vasconcellos - Geógrafo Urbanista e Professor
O ALERTA DE REALENGO
Nota Oficial do Reitor da UFC, Jesualdo Pereira Farias
A brutal incursão de um matador pelos corredores da Escola Tasso da Silveira é uma tragédia que se abate não apenas sobre o bairro carioca do Realengo, mas enluta o Brasil inteiro. As crianças e adolescentes massacrados são cidadãos de um país continental que se está deixando envolver pelo império do terror.
A lição que os sobreviventes aprenderam, naquela aula macabra, é a de que não mais existem territórios seguros em nosso país. Todo espaço – de trabalho, estudo, moradia, lazer – tornou-se vulnerável. Igualmente vulneráveis tornaram-se os campi das universidades em todo o País.
A sombra do medo, que se espraia com celeridade, impõe à Universidade uma reflexão. Há que se assumir, desde já, que segurança é responsabilidade de todos. Individual e coletivamente, estudantes, professores e servidores técnico-administrativos devem juntar-se à Administração Superior e aos gestores acadêmicos para discutir a violência e, de imediato, assumir atitudes capazes de refreá-la.
Somos, na UFC, uma comunidade de 40 mil pessoas. Temos vastos campi e milhares de pequenos e grandes espaços onde desenvolvemos nossas variadas atividades. Abrigamos, ademais, uma cultura do livre-pensar, do livre-agir e também do livre-transitar. De certa forma, cultivamos – e até cultuamos – características que, no contexto atual, nos tornam cada vez mais expostos à violência.
A Universidade não pode mudar, abdicando de um modus operandi que é sua marca institucional mais forte. Mas nós, que a fazemos, podemos assumir uma nova postura. Podemos nos tornar mais vigilantes, mais precavidos, mais participativos.
Podemos e devemos nos envolver mais, quando se pautar o tema da segurança. Abrigamos grandes especialistas nessa área e precisamos ouvi-los. Não é de hoje que eles expedem alertas. Por sua vez, as entidades representativas de todos os nossos segmentos precisam colocar-se na linha de frente dessa discussão, porque não mais estamos falando de interesses materiais, mas de um bem maior, que é a vida.
Ao externar nosso sentimento de solidariedade às famílias enlutadas no Realengo, mais e mais nos convencemos de que, no Brasil, é hora de nos darmos as mãos.
Enviado por: José Carlos Rocha (UFC)
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