sábado, 19 de maio de 2012

CDH aprova autorização de adicional de risco para vigilantes de universidades


Por: Iara Farias Borges
Projeto que autoriza o Poder Executivo a instituir adicional por atividade de risco para os vigilantes de instituições federais de ensino superior e de pesquisa científica e tecnológica foi aprovado nesta quinta-feira (17) pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). A proposta, de autoria do ex-senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), agora será examinada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), na qual receberá decisão terminativa.
O projeto de lei do Senado (PLS 179/2008) prevê adicional a ser fixado entre 50% e 100% do vencimento básico, de acordo com regulamento. Tal percentual, determina ainda a proposta, será cumulativo com as demais vantagens percebidas pelo trabalhador.
Ao justificar a proposta, Zambiasi argumentou que o aumento da criminalidade e da violência nas cidades brasileiras exige que o vigilante atue em situações perigosas. Apesar de os vigilantes serem encarregados de manter a segurança de alunos, professores e funcionários nos campi universitários, ressaltou, a legislação não permite que eles detenham ou prendam infratores, ação que cabe à Polícia Militar. Além disso, informou, esses profissionais não são autorizados a portar arma de fogo para cumprir sua atividade ou para segurança pessoal.
“Não se pode mais fechar os olhos para o fato de que os vigilantes de nossas universidades correm, diuturnamente, risco à sua integridade física, inclusive podendo pagar com a própria vida na luta por garantir a tranquilidade da comunidade universitária", observou Zambiasi na justificação do projeto.
Em seu parecer pela aprovação da matéria, o relator, senador Paulo Paim (PT-RS), acatou as emendas aprovadas na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). Uma delas excluiu o adicional de risco para os aposentados da categoria, conforme prevê o projeto inicial. Na avaliação do senador, essa medida é “pouco razoável”, uma vez que os aposentados não estão mais sujeitos ao risco inerentes à atividade.
- A proposição é oportuna, por configurar reação normativa ao crescente aumento da violência e da insegurança em nossas cidades, em geral, e nos campi universitários em particular - disse Paim, que lembrou ter sido o projeto sugerido pela associação da categoria.
Fonte: Agência Senado

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Prefeitura de São Paulo distribui material de campanha em prol do desarmamento

No cenário político nacional, alguns nomes causam calafrios somente ao serem pronunciados. Um deles, sem dúvida, é o de José Gregori, eterno defensor dos direitos humanos, ou, como jocosamente dizem alguns, direitos “dos manos”. Não, não somos facínoras contrários aos verdadeiros direitos humanos, somos, sim, enfaticamente contrários à forma pela qual se deturpou seu significado nos últimos anos, quando a acepção da expressão passou a designar, apenas, a proteção a quem vive à margem da lei, sem nenhuma preocupação com suas vítimas. Família de bandido morto em confronto com a Polícia recebe visita de ONGs humanistas, família de policial ou cidadão mortos no mesmo confronto não.

Mas voltemos ao José Gregori, que hoje está em todos os jornais por compor a malfadada Comissão da Verdade(?). No exato momento em que o calafrio percorre a espinha por lembrá-lo na referida comissão, chega uma mensagem da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, convocando seus funcionários a apoiar, de novo, a enésima vez requentada campanha de desarmamento. 

O panfleto eletrônico é de uma conhecida ONG que vive à custa de verba pública e recursos estrangeiros, justamente o que a fez ser impedida de participar da campanha para o referendo de 2005. Seu teor é um capítulo à parte. Nele, os dizeres “arma não protege, mata”, rotulando indiretamente de assassinos todos aqueles que as portam. Seriam, então, para a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo assassinos todos os policiais civis, militares, guardas municipais, policiais federais, e todos os demais agentes de segurança pública e privada? Suas armas são, então, para matar, e não para proteger o cidadão? 

Talvez a resposta à pergunta sobre quem dirige a dita secretaria explique alguma coisa. Sim, claro, é o José Gregori! E dá-lhe calafrios...

Para aqueles que não lembram ou ainda não acompanhavam o assunto há 12 anos, vale à pena conhecer um pouquinho do passado do senhor José Gregori. Em junho de 2000, quando ministro da justiça do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em um ato pouco democrático ou republicano, simplesmente proibiu o registro de armas de fogo no país por seis meses, até que a proibição fosse ratificada pelo congresso (1)! E, claro, na prática proibiu que o cidadão adquirisse legalmente uma arma de fogo. Um democrata! Um verdadeiro defensor dos direitos humanos!

A absurda, ditatorial e completamente ilegal proibição durou bem menos do que ele esperava, sendo derrubada pelo STF, que sentenciou ser tal medida carente da mais ínfima contribuição positiva para a segurança pública. José Gregori atacou ferozmente a decisão, mas, sem ter o que fazer, a acatou (2). Bons tempos quando não havia no STF nenhum ministro como o Luiz Fux(3), que já chegou a declarar ser necessário achar uma forma de entrar de casa em casa para desarmar a população (outro democrata!). Hoje, provavelmente José Gregori teria nele um grande aliado no STF.

Claro que a prefeitura tem todo o direito de fazer parcerias com quem quiser. Também tem o direito de ignorar o resultado do referendo de 2005 e os 60 milhões de eleitores que disseram “não” ao desarmamento. Mais claro ainda é que todos nós, que indiretamente estamos pagando esse tipo de parceria, que tem custo aos cofres públicos, temos o direito de protestar contra mais esse absurdo e dizer “eu não entrego minha arma”! Para isso podemos usar o e-mail de onde saiu tal peça panfletária: cmdh@prefeitura.sp.gov.br, com cópia para gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br
e para a ouvidoria geral ogm@prefeitura.sp.gov.br.

Lembrem-se: sempre com cordialidade e educação, mas com firmeza inequívoca que somos contrários.
Enviado por: Silvio Salustiano - IFPB
Fonte: Movimento Viva Brasil

quarta-feira, 16 de maio de 2012

REQUERIMENTO DE INFORMAÇÃO Nº 2.221 DE 2012. Deputada Andréia Zito

Requer informações ao Senhor Ministro de Estado da Educação quanto aos entendimentos conclusivos que possam ser declarados, em relação ao cargo efetivo de técnico-administrativo de Vigilante, do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação - PCCTAE de que trata a Lei nº 11.091, de 2005.

Senhor Presidente,

Com fundamento no art. 50, § 2º, da Constituição Federal e nos arts. 24, inciso V, § 2º, e, 115, inciso I, do Regimento Interno, solicito a Vossa Excelência, sejam requeridas ao Senhor Ministro de Estado da Educação, as informações abaixo relacionadas, referentes aos entendimentos conclusivos que possam ser declarados, em relação ao cargo efetivo de técnico-administrativo de Vigilante, do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação - PCCTAE, de que trata a Lei nº 11.091, de 2005.

O Ministério da Educação, por intermédio do ofício-circular nº100/MEC/SeSu/DIFES, de 19 de agosto de 2010 declarou que o cargo supracitado de vigilante está extinto.

A Lei nº 9.632, de 1998 que tratou da extinção de diversos cargos nos planos de cargos do serviço público federal, naquele momento, extinguiu o cargo de vigilante das instituições federais de ensino, no Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos – PUCRCE, de que trata a Lei nº 7.596, de 1987 e Decreto nº94.664, de 1987.

O PCCTAE de que trata a Lei nº 11.091, de 2005, surgiu em substituição ao PURCE nas instituições federais de ensino, a partir de março de 2005, trazendo no rol dos seus cargos, o cargo de vigilante, sem nenhuma observação de que se tratava de cargo extinto.

O ofício-circular nº 15/2005/CGGP/SAA/SE/MEC, de 28 de novembro de 2005, autorizou concurso público para o cargo efetivo de vigilante para a Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho, com a nomeação de dois vigilantes, número de vagas autorizadas.

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JUSTIFICAÇÃO

As justificações necessárias para a solicitação do envio deste requerimento de informação ao Excelentíssimo Sr. Ministro de Estado da Educação, prende ao fato de não haver um consenso sobre a extinção definitiva do cargo de vigilante universitário, pois a Lei de extinção de cargos no serviço público federal é de 1998, Lei nº 9.632, momento em que, nas Instituições Federais de Ensino estava vigente o Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos – PUCRCE, de que trata a Lei nº 7.596/87 e o Decreto nº 94.664/87.

Em 2005, surge o PCCTAE, Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, onde no rol de descrição de cargos integrantes desse plano há o cargo de vigilante. Neste mesmo ano, já no mês de novembro, houve autorização para uma Escola Agrotécnica promover concurso público para o preenchimento de 2 (dois) cargos do PCCTAE, de vigilante.

À vista desses desencontros legislativos, surgem-me dúvidas se uma Lei de 1998, a Lei nº 9.632, já poderia estar anulando algo que surgiria sete anos após, num novo plano de carreira, como o PCCTAE.

Em sendo considerado extinto, o porquê da autorização para concurso público para o preenchimento de dois cargos em novembro de 2005, numa Escola Agrotécnica.

Finalmente gostaria de manifestar a minha necessidade parlamentar do poder entender com precisão sobre o que é cargo extinto, incluído num plano de carreira aprovado por uma lei, após alguns anos da publicação da lei de extinção de cargos, que em momento algum ratificava a extinção daqueles cargos em planos futuros que viessem a ser aprovados.

Sala das Sessões, em de maio de 2012.

Deputada Andreia Zito

PSDB/RJ
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Enviado por: Mozarte - UFRGS

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Manifestantes do movimento do Sem-Teto da Bahia protesta na reitoria da Uefs e entra em choque com vigilantes

Segundo informações da assessoria da universidade, cerca de 35 sem-teto montaram uma barraca, como protesto, na reitoria por volta das 9 horas da manhã

Da Redação

O Movimento do Sem Teto da Bahia (MSTB) fez um protesto na manhã desta segunda-feira (14) na reitoria da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) acusando vigilantes da instituição de agredir um estudante e membro do movimento.

Segundo informações da assessoria da universidade, cerca de 35 sem-teto montaram uma barraca, como protesto, na reitoria por volta das 9 horas da manhã. Pela tarde, os manifestantes tiveram uma reunião com o reitor José Carlos Barreto. Este informou que vai apurar os fatos para tomar as medidas cabíveis perante a empresa terceirizada de vigilantes e estudar o motivo da saída do estudante com um bem público.

A agressão teria acontecido na última sexta-feira (11). O estudante da pós graduação em desenho teria tentado sair da instituição com uma panela do restaurante universitário. Os vigilantes impediram a passagem do estudante.

O jovem prestou queixa na 2ª Delegacia Territorial (DT/Feira de Santana) e foi submetido a exames de corpo delito. Os funcionários da universidade negam a agressão.

Os integrantes do movimento deixaram a reitoria por volta das 18 horas. Eles possuem um acampamento localizado às margens na BR-116 Norte.

Fonte: Correio 24 horas

Após greve, vigilantes do Hospital de Clínicas da USP, voltam ao trabalho em Ribeirão Preto, SP

Trabalhadores reclamam de atraso no pagamento de salários e benefícios. O Sindicato diz que existe a possibilidade de uma nova paralisação.
Carolina Visotcky
Do G1 Ribeirão e Franca

Os 80 vigilantes que atuam nas unidades do Hospital da Clínicas contratados pela empresa terceirizada Capital voltaram ao trabalho, nesta segunda-feira (14), em Ribeirão Preto (SP).

Segundo o presidente do sindicato na região, Antônio Guerreiro Filho, os salários atrasados foram pagos para a maioria dos funcionários,mas ainda existem pendências em relação aos benefícios. “Prometeram o acerto do ticket-refeição durante a semana, se não fizerem existe a possibilidade de uma nova paralisação”, afirmou.

Na sexta-feira (11), os funcionários estiveram na sede do sindicato, nos Campos Elíseos, para protestar contra atrasos no pagamento de salários e benefícios como cesta básica , ticket refeição e atualização nos valores do FGTS.

Outro lado

Representantes da empresa estiveram no sindicato para conversar com os vigilantes e pediram desculpa pelos atrasos e afirmaram que tentarão resolver a situação em parceria com o HC, na sexta-feira (11). Na ocasião eles não aceitaram falar com a reportagem e desde então o G1 tenta falar com a empresa, que não atende os telefonemas.

Por telefone, o HC informou que não tem nenhuma responsabilidade pela greve.

Outras greves

Na região de Campinas, todas as agências da Caixa Econômica Federal estão fechadas por conta da paralisação de vigilantes contratados pela mesma empresa que presta serviços em Ribeirão Preto, desde quarta-feira (9).

Entre as reivindicações dos funcionários estão a falta de depósito do fundo de garantia, o atraso salarial e o não recebimento de benefícios.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Novamente, a USP é palco de polêmicas: Estudantes, professores e trabalhadores da USP rebatem boletim da reitoria

Por Conceição Lemes 
Fonte: Blog VIOMUNDO.COM.BR

A sequência de atos de autoritarismo e truculência do reitor João Grandino Rodas conseguiu algo inédito, impensável até recentemente: unificar a resposta das entidades representativas de alunos (DCE), professores (Adusp) e trabalhadores (Sintusp) e de boa parte da comunidade uspiana à falta de democracia na USP.

“Por iniciativa dos signatários do Manifesto pela Democratização da USP, foram iniciadas conversas para criação do Fórum Aberto pela Democratização da USP”, informa Walter Andrade, formado em direito pela Faculdade de Direito (a SanFran, como é chamada), e atualmente fazendo graduação em Filosofia (FFLCH/USP). “Que teve sua primeira reunião na quarta-feira passada, 2 maio. E haverá outra nesta terça 8, para instalar o Fórum”.

A recente onda de arbitrariedades na USP começou com a violenta reação do reitor à ocupação da Reitoria por um grupo de estudantes como ato de protesto contra o convênio assinado com a PM ( ). Depois, foram os processos judiciais e administrativos contra estudantes, trabalhadores e até mesmo entidades como a Adusp.

Na sequência, a denúncia de irregularidades nesses processos e a recusa do monumento na Praça do Relógio em homenagem às vítimas da ditadura na USP Relógio acabaram levando à consolidação no início deste ano do Manifesto pela democratização da USP.

A Reitoria retorquiu, publicando no USP Destaques n. 56 o artigo A democracia na USP, onde afirma que o modelo de administração da universidade é democrático e os signatários do Manifesto são “autointitulados perseguidos pelo regime militar”.

De novo, ADUSP, Sintusp e DCE reagiram em conjunto. O resultado é a carta abaixo (encaminhada a nós via e-mail por Ricardo Maciel), onde abordam as informações inverídicas do USP Destaques, ponto por ponto tudo.

Carta Aberta sobre o USP Destaques nº 56

As entidades representativas dos estudantes, funcionários técnico-administrativos e professores da Universidade de São Paulo vêm, por meio desta, expressar sua preocupação com o conteúdo do boletimUSP Destaques n° 56, de 9/3/2012.

O referido boletim tem como título “A democracia da USP” e inicia com um questionamento ao Manifesto pela Democratização da USP, assinado por 70 vítimas da ditadura militar, seus familiares, 245 docentes da USP e 217 professores de outras universidades do país e do exterior.

Concordemos ou não com o Manifesto, no todo ou parte, julgamos inadmissível que a Reitoria da USP ponha em questão o fato de que seus signatários, sob a rubrica “familiares de mortos e desaparecidos, ex-presos e perseguidos pela ditadura”, representem ou tenham sido, de fato, vítimas do regime de exceção iniciado com o golpe militar de 1964. Ao afirmar que os signatários são “autointitulados perseguidos pelo regime militar, parentes de companheiros assassinados… e defensores dos princípios por eles almejados”, a Reitoria transpõe para o plano subjetivo – logo, passível de relativização – o reconhecimento dos crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura. Tal negação histórica, arbitrária e desqualificadora em si mesma, assume um caráter extremamente grave ao ser emitida pelo órgão máximo de uma das maiores e mais importantes universidades públicas no país.

O USP Destaques n° 56, apesar de tentar deslegitimar o citado Manifesto, desenvolve temas que, embora referidos nele, dizem respeito ao atual momento vivido pela USP. É o caso, por exemplo, da negação de “perseguições políticas no seio da Universidade”. A alegação central da Reitoria é a de que os processos contra membros da comunidade uspiana não dizem respeito a “manifestações individuais ou coletivas”, mas sim a “ações (….) consideradas como crime pelo Código Penal Brasileiro”. Temos consenso quanto ao princípio de que numa democracia vigorem os mecanismos que permitam atribuir aos cidadãos a devida imputação de responsabilidade pelos seus atos. No entanto, não cabe à administração universitária punir alguém penalmente, o que torna a menção ao Código Penal, feita no boletim, de uma inconsistência que só revela tendência autoritária.

Sobre os processos disciplinares instaurados pela Reitoria, alguns deles com início na gestão anterior, sabe-se que, no caso de Claudionor Brandão, demitido “por justa causa”, não houve a necessária ação judicial para apuração desta, como prevê a legislação trabalhista, tendo sido o sindicalista punido pelo fato de, atuando em solidariedade com os trabalhadores terceirizados, ser acusado de reincidência. O fato que originou a alegada reincidência ocorreu em momento anterior ao ato que gerou a primeira punição. Ainda assim, ressalte-se que, em virtude da estabilidade prevista na Constituição aos dirigentes sindicais, Brandão não poderia ter sido demitido por meio de processo administrativo interno da USP, mas somente mediante processo na Justiça do Trabalho. A demissão do sindicalista antecipa a instauração de processos e ameaças de demissões de vários outros dirigentes do Sintusp, também pelo exercício de atividades sindicais que lhes são próprias, ao mesmo tempo em que se ignora a ocorrência de fatos que necessitam ser devidamente apurados, como a denúncia feita pelo Sintusp sobre a tentativa de atentado à sua sede em 12/01/2012.

Intimidação

Já no caso dos oito estudantes expulsos em dezembro de 2011, não está claro no processo que os punidos tenham efetivamente sido autores dos atos a eles atribuídos. Além disso, na Portaria que instaurou o processo administrativo contra os estudantes não há qualquer menção aos “crimes” que lhes foram imputados pela Reitoria no USP Destaques. O fato é que, na Portaria, há referência apenas à “invasão e ocupação das dependências da Divisão de Promoção Social da Coordenadoria de Assistência Social (…), ocorrida no dia 18 de março de 2010, por volta das 1h15min”. A mesma acusação, sem qualificações, aparece no Decreto que torna pública a decisão de expulsão dos estudantes, considerando “verdadeiros os fatos que lhes são imputados quanto à invasão e ocupação das dependências da Divisão de Promoção Social da COSEAS no dia 18.03.2010” (Cf. Nota sobre o USP Destaques n° 56 do advogado desses estudantes, Aton Fon Filho. http://goo.gl/62gLu).

Portanto, tal punição não ocorreu por crimes como depredação do patrimônio público ou extravio de documentos, mas pelo ato de ocupação em si, que pode ser facilmente considerado como “Protestos extraordinários (…) por meio de demonstrações”, que o próprio boletim da Reitoria considera “cabíveis em um Estado democrático de direito, como o Brasil”.

Tanto no caso do sindicalista como no da expulsão dos estudantes há graves irregularidades que indicam a perseguição de pessoas que ousam agir politicamente na USP para reivindicar direitos, fato este reforçado quando se considera a quantidade de processos disciplinares instaurados desde o início da gestão do atual Reitor. A maior evidência da fragilidade dos processos que resultaram na expulsão dos estudantes é que os mesmos começam a ser con­tes­tados na Justiça, gerando uma desnecessária exposição pública da instituição, fato que já estava ocorrendo desde a dispensa abrupta de 270 aposentados em janeiro de 2011.

Se é verdade que a apuração de crimes não constitui perseguição política, também é verdade que a atribuição aleatória de culpa a constitui, uma vez que produz intimidação, insegurança e medo, desencorajando os membros da comunidade universitária a engajar-se publicamente nas questões e na solução de problemas da instituição.

É nesse contexto que se identifica como tentativa de intimidação a interpelação judicial por meio da qual a Reitoria alega buscar explicações da diretoria da Adusp, por conta de supostas declarações críticas à atual administração. Embora a lei brasileira proteja os cidadãos contra crimes de “calúnia e difamação”, tentar atribuir teor de “calúnia e difamação” a análises de conteúdo político sobre instituições públicas e seus dirigentes, feitas com vistas a tornar mais claras as motivações de atos administrativos, configura óbvia tentativa de cerceamento do direito de manifestação da entidade de classe, que – no limite – pode ser interpretada como censura e abuso de poder.

Disparidade

A nota da Reitoria afirma que é um direito legítimo da Administração da USP recorrer ao Poder Judiciário e que os próprios setores que contestam sua política já mobilizaram, outrora, esse mesmo Poder. Tal comparação é descabida, considerando-se a disparidade entre, de um lado, o poder de mobilização judicial de estudantes e servidores e, de outro lado, o poder da Reitoria da USP, além da dissonância dos propósitos das partes. Estudantes, técnico-administrativos e docentes vão ao Judiciário para reaver direitos atingidos por ato de poder da Administração pública e esta, sem abrir mão de seu poder institucional, ainda se vale do Judiciário para reforçá-lo perante estudantes e servidores, os quais, por conseguinte, são tratados como adversários, instaurando-se um clima de autêntica repressão, com negação direta do que é essencial na construção democrática das relações institucionais – o diálogo, apesar do discurso em contrário (Cf. o então candidato a reitor, João Grandino Rodas, Informe n° 2, “Princípios Norteadores Principais”, São Paulo, 5/10/2009).

Enquanto a Reitoria dispõe de meios institucionais para intervir diretamente na vida universitária, com amplas consequências no cotidiano e futuro de seus membros, estudantes e servidores recorrem ao Judiciário como medida defensiva, que pode dar resultados apenas em médio ou longo prazo, sob risco de perda de direitos adquiridos, incluindo meios de subsistência. Nenhum desses riscos corre quem usa o Judiciário enquanto dirigente de instituição. Para estes, o recurso ao Judiciário constitui opção política que substitui o diálogo e a negociação, ou que precede a todo diálogo, justamente como acaba de mostrar a Reitoria na interpelação judicial impetrada contra a diretoria da Adusp por declarações a ela atribuídas e publicadas em editorial do jornal O Estado de S. Paulo de 25 de fevereiro de 2012.

Outra questão levantada no USP Destaques n° 56 é a presença – ou “permanência”? – da Polícia Militar no campus Butantã. Valendo-se de um tom irônico, a Reitoria afirma que aqueles que questionam a recente mobilização da PM pela Reitoria contestam, na verdade, o poder de polícia conferido a essa corporação pela Constituição Federal, de modo que, para recusar a atuação da PM na USP, seria necessário: “1) emendar a referida Constituição; ou 2) parte do território nacional se proclamar novo Estado soberano e ser reconhecido pela comunidade internacional”.

Ao sugerir que o que está em jogo é uma negação de toda e qualquer atuação da PM no campus, deturpa-se a reivindicação de amplos setores da universidade que defendem a anulação do convênio estabelecido pela direção da USP em 2011 e a consequente retirada da PM do campus da USP. Caberia perguntar: antes da formulação de tal convênio, a Cidade Universitária não estava inserida em um Estado soberano, como sugere ironicamente o boletim?

Já é tempo de o Reitor dispor-se a discutir com seriedade e respeito os assuntos que afetam a universidade. O que motivou este protesto é precisamente o convênio que militariza o campus e tem recebido questionamentos jurídicos e políticos bem fundamentados, dentro e fora da USP.

“Aberração”

Assim, por exemplo, o jurista e professor de Direito Penal da Universidade Federal de Minas Gerais, Túlio Vianna afirma, em artigo publicado na revista Fórum de 9/1/2012 que “A presença da Polícia Militar nos campi das universidades públicas brasileiras é uma aberração jurídica que só pode ser superada com a criação das guardas universitárias ou o seu fortalecimento onde ela já existe, como é o caso da USP.” Sua apreciação tem por base o fato de a USP ser uma autarquia e se referenda, justamente, no funcionamento da segurança em outras autarquias. Do mesmo modo, a própria PM-SP, na figura de seu Ouvidor, Luiz Gonzaga Dantas, afirmou à Rádio Brasil Atual que o convênio USP–PM devia ser questionado e que a Ouvidoria da PM pediria audiência com o reitor Rodas para revisá-lo. A declaração foi motivada por avaliação da agressão, em janeiro último, por um policial que, sem qualquer justificativa, apontou arma de fogo para a cabeça de um aluno, dentro de espaço dos estudantes da USP, depois de ter-lhe dado tapas na cara.

Além de ser objeto de questionamentos de pessoas externas à USP, o citado convênio também foi questionado, com fundamentação, por representantes em vários colegiados. Assim, é estranho que a Reitoria reclame, no mesmo USP Destaques, de uma suposta omissão dos representantes de estudantes e servidores na vida institucional da USP. Isso porque, na sessão do Conselho Universitário de 13/12/2011, o convênio com a PM foi objeto de questionamento em intervenções das Congregações da Escola de Comunicações e Artes e da Faculdade de Educação, do representante dos doutores e de todos os representantes discentes de graduação e pós-graduação. Antes disso, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas também havia manifestado a necessidade de revisar o convênio e o DCE-Livre da USP havia divulgado um conjunto de propostas alternativas. A Reitoria encerrou a sessão do Conselho sem manifestar-se e, três meses depois, publica esse boletim no qual sugere nada ter ouvido, recorrendo a zombarias sobre o real conteúdo das propostas. É esse o convite que o Reitor nos faz à participação na vida institucional?

Parece-nos evidente que, ao afirmar que a USP não perdeu sua “capacidade de discutir internamente”, a Reitoria nega o anacronismo de seus órgãos deliberativos internos, sobretudo no nível central, refletido no Conselho Universitário. Destaque-se, neste sentido, que a postura do próprio Reitor evoca prescindir do órgão máximo de deliberação da universidade. Gera-nos estranheza que em 2011, ano em que inúmeros acontecimentos e mudanças importantes incidiram sobre a USP, o referido Conselho não tenha sido mais vezes chamado a opinar.

Não é de se estranhar, portanto, que diante desse esvaziamento das instâncias internas de discussão e decisão da USP nenhum colegiado tenha discutido e/ou deliberado, de forma necessariamente antecedente, sobre a demissão de 270 servidores em janeiro de 2011. Tratou-se de uma deliberação exclusiva da Reitoria que foi ocultada, inclusive, dos diretores das unidades onde esses servidores trabalhavam. Nenhum colegiado interno da USP debateu e/ou deliberou, também, sobre a criação da denominada “sala de crise”, que, na verdade, é um relatório minucioso das atividades políticas e sindicais, incluindo reuniões internas do Sintusp, Adusp e DCE dirigido à Reitoria da USP, veiculado originalmente em audiência pública da Alesp e posteriormente objeto de ampla reportagem publicada pela revista Fórum, em janeiro de 2011, sem qualquer desmentido por parte da Reitoria. Se a existência de um serviço de espionagem na universidade não é demonstração evidente de autoritarismo, o que seria?

Igualmente, os colegiados da USP não deliberaram a expulsão de estudantes em dezembro de 2011. E, neste caso, é flagrante no despacho do Reitor a inclusão, entre as alegações que “fundamentam” sua decisão, do “respaldo de, praticamente, a totalidade dos dirigentes das Unidades de Ensino e Pesquisa e Órgãos Centrais, expresso em documento datado de 13.12.2011”. É a mesma data da reunião do Conselho Universitário, em cuja plenária nada foi dito, por parte da Reitoria, acerca dessas expulsões, apesar de, durante a sessão, vários representantes terem solicitado o fim dos processos contra estudantes e servidores e a reforma do Regimento Disciplinar vigente. A esses fatos somam-se as reformas feitas sem que nada indique sua urgência, como a que está em andamento na pós-graduação.

Estatuinte

Por tudo isso, reafirmamos que a Universidade de São Paulo está efetivamente perdendo a capacidade de discutir internamente. Que tenha que ser o Ouvidor da Polícia Militar a lembrar à USP que ela goza de autonomia e que deve preservar o ambiente de democracia e diálogo é uma das expressões mais explícitas e paradoxais da crise institucional que vivemos. Para nós, é evidente que não é com ameaças de “responsabilização, inclusive penal”, como as que encerram a nota pública divulgada pela Reitoria em seu boletim USP Destaques n° 56, que enfrentaremos e superaremos a deterioração da vida comunitária, universitária e institucional em curso na USP.

Afirmamos, ainda, pelos motivos apontados anteriormente, que é absolutamente inaceitável a forma como a atual Reitoria vem administrando, gerindo e representando a universidade e argumentamos que é necessária a instauração de um processo Estatuinte, amplo e democrático, princípio este que defendemos há mais de duas décadas, pois é urgente uma profunda reforma dos estatutos e regimentos internos da USP!


São Paulo, 27 de abril de 2012

Assinam: Adusp, Sintusp e DCE-Livre da USP
Publicado em 8 de maio de 2012 às 15:07

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Bulling

Todos os dias crianças e adolescentes são agredidas verbal e fisicamente nas escolas e nada acontece. Ninguém é punido, as escolas se defendem dizendo, muitas vezes, que as agressões aconteceram do lado de fora do portão, e a maioria dos pais não se responsabiliza pelos filhos violentos.

Tudo isso é muito triste quando a criança fica com vergonha de ir a escola, quando vira piada entre os amigos mas, quando a vítima vai parar no hospital não é mais triste, é revoltante!

Foi isso que aconteceu há umas duas semanas em Campinas, interior de São Paulo. Um caso grave de violência escolar. Um menino de 12 anos foi espancado por um grupo de colegas e foi internado na UTI de um hospital. Ficou lá 13 dias e saiu do hospital traumatizado.

A direção da escola se defendeu dizendo que a briga, entre os mais de dez alunos e a vítima, aconteceu do lado de fora da escola (a desculpa é sempre a mesma) e que, por isso, não responsabilizava. Disseram também que os pais seriam chamados e orientados a conversar com os filhos. Como é? O menino quase morreu e nenhuma outra medida vai ser tomada? É isso mesmo!

Será que ninguém da escola poderia ter evitado essa tragédia? Será que esses alunos não davam mostras de que a situação chegaria nesse ponto? Será que o fato de ter acontecido na saída da aula exime a direção da escola da culpa? Será que os alunos agressores não deveriam ser expulsos e arcar com punições da lei? Será que os pais não deveriam ter sido chamados antes para uma conversa e, no caso dos pais dos agressores, serem responsabilizados pelos atos dos filhos?

Sobre os pais, aliás, tenho outras dúvidas: será que a vítima nunca sinalizou que estava com problemas na escola? Será que os pais não poderiam ter cobrado providências da direção da escola antes? Será que nós ouvimos tudo que nossos filhos tem pra dizer...?

Questiono também a lei, já que bulling não é crime. Como assim? Quer dizer que uma criança agredida quase até a morte na escola não é crime? Então não sei de mais nada...

O que eu sei é que alguma coisa tem que ser feita pra que casos como esse não se repitam mais. Não dá pra ler todos os dias no jornal que uma criança apanhou na escola porque é gordinha, magrinha, negra, branca, abóbora, azul, porque usa óculos, aparelho nos dentes, ou porque é tímida. A mudança depende da gente. Devemos cobrar sim uma postura das escolas. Devemos cobrar sim uma mudança na lei. Ficar parado é que não dá. Só nas delegacias de Campinas são registrados 4 casos de bulling em escolas por mês. Não tem cabimento.

Nos EUA onde, segundo pesquisa, 13 milhões de jovens sofrerão abusos em escolas esse ano, a campanha antibullying ganhou força com o documentário lançado esse mês, chamado "Bully" (sem previsão de estréia no Brasil). Nele o foco são as vidas de cinco adolescentes que sofrem abusos.

Será que vamos ter que chegar nesse ponto pra nos conscientizarmos do tamanho desse mal? Espero que não.

Por: Patrícia Maldonado
Fonte: Yahoo Mulher